domingo, 3 de julho de 2011

A IMPORTANCIA DA MULHER NA HISTÓRIA DE ISRAEL

INTRODUÇÃO:

ISRAEL É A NAÇÃO QUE VEIO SE FORMAR DEPOIS DO ÊXODO, CONSTITUÍDA PELOS DESCENDENTES DE JACÓ (AS 12 TRIBOS).   

- NARRATIVA: A BIBLIA NASCEU EM UMA ESTRUTURA DE PATRIARCADO/CULTURA PATRIARCAL E FOI ESCRITA QUASE EM SUA TOTALIDADE, NUMA PERSPECTIVA ANDROCENTRICA.
 O TEXTO BIBLICO É UM TEXTO ESTRUTURADO “GENERICAMENTE”. SÃO HOMENS FALANDO DE MULHERES E COLOCANDO SUA PROPRIA VISÃO DE MUNDO NO CENTRO DE CONSTRUÇÃO LITERÁRIA. O PAPEL PUBLICO, RELIGIOSO E SOCIAL DA MULHER É ANALISADO, SEGUNDO DIVERSOS PERIODOS DA HISTÓRIA DE ISRAEL, PELO ESTUDO SOCIOLÓGICOMINORITARIO.
UM EXEMPLO É SOBRE RAABE EM Js 2:1, ALGUNS ESTUDIOSOS CONSIDERAM QUE ELA ERA APENAS UMA HOSPEDEIRA, ALGO COMO DONA DE UMA POUSADA, COM BASE NA RAIZ ZUN = ALIMENTAR E NÂO NA RAIZ ZANÁ = ORIGEM DA PALAVRA ZONA/ PROSTITUIÇÃO. TAMBÉM PODE INDICAR PROSTITUIÇÃO RELIGIOSA. DE CERTO QUE SERIA TANTO ESTRANHO UMA PROSTITUTA NA LINHAGEM DO MESSIAS, O REI DOS REIS, Mt 1.6.

- ATIVIDADES DAS MULHERES NO LAR: USAVAM LAMPADAS DE OLEO DE VARIOS TAMANHOS PARA ILUMINAR AS CASAS. NAS COZINHAS TINHAM MUITOS POTES DE BARRO E PANELAS DE FORMAS E TAMANHOS VARIADOS, DE METAL E DE BARRO. USAVAM PEDRAS POLIDAS PARA A PREPARAÇÃO DOS ALIMENTOS E DO PÃO.

- ATIVIDADES DAS MUHERES FORA DO LAR: A MÚSICA INSTRUMENTAL OCUPAVA UM PAPEL IMPORTANTE NA VIDA DO ANTIGO ISRAEL, HÁ INDICIOS DE MULHERES NAS ATIVIDADES MUSICAIS, EMPREENDIMENTO E NEGÓCIOS.
   
- JUDAÍSMO: SHABAT BASEIA NO DIA DO DESCANSO, SIMBOLO MÁXIMO DO JUDAÍSMO E A VERDADEIRA ESSENCIA DA FÉ JUDAICA Ex 20:11.É UMA CELEBRAÇÃO DA LIBERDADE.ACENDEM NO MINIMO DUAS VELAS SIMBOLICAMENTE PARA ILUMINAR O MUNDO SOMBRIO E PARA LEMBRAR DAS EXPRESSÕES EM Ex 20:8 E Dt 5:12. É A MULHER QUE ACENDE AS VELAS DO SHABAT POR DOIS MOTIVOS:
1- POR COMETER A 1ª TRANSGRESSÃO NO JARDIM DO EDEN, E COM ISTO EXTINGUIU A LUZ DA VIDA HUMANA, COMO UMA FORMA DE EXPIAÇÃO, AFIM DE RESTAURAR O BRILHO ORIGINAL DAQUELA LUZ.
2- CABE A MULHER A RESPONSABILIDADE DE TRAZER PAZ, SERENIDADE E FELICIDADE AO LAR, INICIANDO O SHABAT COMA HONRA CONCEDIDA DE ACENDER A LUZ/VELA.
A IDENTIDADE JUDAICA É HERDADA DA MÃE, DE FATO FILHO NASCIDO DE MÃE JUDIA É JUDEU, É A MULHER QUE DETERMINA A IDENTIDADE JUDAICA, É ELA QUE É RESPONSAVEL PELA EDUCAÇÃO DOS FILHOS, PELA MANUTENÇÃO DO ESPIRITO DO JUDAÍSMO NO LAR, PELA PERPETUAÇÃO DAS TRADIÇÕES.

- A PRIMEIRA MULHER – Gn 2:18  - EVA = VIDA/MÃE DE TODOS OS VIVENTES
DEUS IDENTIFICA-SE COMO AJUDADOR DE ISRAEL – Ex 18:4 E Dt 33.7, COMO AUXILIADORA DO HOMEM, A MULHER TORNA-SE A IMAGEM E SEMELHANÇA DO CRIADOR.
PORQUE ADÃO COMEU DO FRUTO DADO POR EVA?
ADÃO NÃO FOI ENGANADO 1Tm 2:14, A TRADIÇAO JUDAICA EXPLICA QUE FOI POR AMOR E OBEDIENCIA A DEUS.

“A MULHER FOI TIRADA NÃO DA CABEÇA DO HOMEM PARA DOMINAR SOBRE ELE, NEM DOS SEUS PÉS PARA SER SUBJUGADAS, MAS DE PERTO DO SEU CORAÇÃO PARA SER AMADA E POR ELE PROTEGIDA”. (MOODY)




1 – MULHER NO PERIODO PATRIARCAL
ESTAVA SUBORDINADA A JURISDIÇÃO DO PATRIARCA (CHEFE DE FAMILIA, ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ OS FORMADORES DO JUDAÍSMO). A POSIÇÃO DA MULHER NÃO ERA NECESSARIAMENTE INFERIOR. COMO DONA DE CASA, MULHER PRINCIPAL E MÃE DE NUMEROSOS FILHOS-HOMENS TINHA UMA IMPORTANCIA INCONTESTÁVEL QUE SE BASEAVA COM A CONTINUIDADE DA FAMÍLIA. UM CONSIDERÁVEL FORTALECIMENTO DO CLÃ QUANTO AO SEU PODER MILITAR E DE SEUS RECURSOS ECONOMICOS NA FASE DO NOMADISMO PASTORIL. TORNAVA-SE DIFICIL A POSIÇÃO DA MULHER QUANDO ESTÉRIL E ALÉM DISSO, COMCUBINA.
O MATRIARCADO É UM TIPO DE FAMÍLIA MUITO MAIS COMUM NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS. SUA CARACTERISTICAS NÃO É QUE A MÃE EXERÇA A AUTORIDADE, MAS QUE A DETERMINAÇÃO DO PARENTESCO SEJA POR ELA. A CRIANÇA PERTENCE À FAMÍLIA E AO GRUPO SOCIAL DA MÃE E OS DIREITOS À HERANÇA SE FIXAM PELA DESCENDENCIA MATERNA. O MATRIARCADO É UMA FORMA VINCULADA A CIVILIZAÇÃO DE CULTIVO DE BAIXA ESCALA, ENQUANTO QUE A CIVILIZAÇÃO PASTORIL É PATRIARCAL.

AS MATRIACAS:
SARA (Gn 11 A 25) – É DESCRITA COMO UMA SANTA MULHER DO PASSADO PORQUE CONFIOU NO SEU MARIDO, COOPERANDO COM ELE DE BOA VONTADE. ELA DIVIDIU COM ABRAÃO SEUS DESAFIOS E SOFRIMENTOS, SONHOS E BENÇÃO. SARA NÃO VACILOU, PERMANECEU AO LADO DELE NAS BOAS E NAS DECISSÕES ERRADAS, NA ADVERSIDADE E NA BENÇÃO, NA JUVENTU DE E NA VELHICE. UM EXEMPLO SEGUIDO EM ISRAEL REFORÇANDO O FATO DE QUE DEUS VÊ O CASAL COMO UMA SÓ CARNE.

REBECA (Gn 24 A 27) - É DESCRITA COMO PURA E BELA, CORTÊS, PRESTATIVA, TRABALHADORA, HOSPITALEIRA, RESPONSÁVEL E CONFIÁVEL. MÃE DE ESAÚ DEU ORIGEM AOS EDOMITAS E DE JACÓ, PAI DAS 12 TRIBOS QUE DEU ORIGEM AOS ISRAELITAS.

RAQUEL - UMA PASTORA DEMONSTROU GRANDE LEALDADE A SUA FAMILIA, GRANDEMENTE AMADA POR SEU MARIDO, DEU AO MUNDO DOIS FILHOS QUE SE DESTACARAM JOSÉ E BENJAMIM. POR CAUSA DE SUA ATITUDE EM Gn 31:35 SURGE MAIS TARDE QUE A MULHER MESTRUADA NA LEI EM Lv 15 É DESCRITA COMO IMUNDA. APESAR DE SUAS FALHAS É TIDA COMO UMA HONRADA FILHA DE JAVÉ.

AS ESTERELIDADE DAS MATRIARCAS É UM TEMA COMUM DE GENESIS E REVELA PARA ISRAEL
- OS EFEITOS DO PECADO NO MUNDO DECAÍDO, QUE PODERIAM TER DESTRUÍDO A LINHAGEM GENEALÓGICA FIEL A DEUS.
- A NECESSIDADE DA INTERVENÇÃO MIRACULOSA DE DEUS PARA PROTEGER SEU POVO
- A ESCOLHA DIVINA DA MÃE QUE VAI CONTRA A PRATICA DO ANTIGO ORIENTE PRÓXIMO DE SOMENTE ATRIBUIR IMPORTANCIA AO SANGUE DO PAI. 





2 – MULHER NO PERIODO DO EGITO
A vontade de lutar e de olhar sempre à frente é uma característica feminina única. Demonstraram-no quando, no Egito, repetiram essa atitude no episódio do "Bezerro de Ouro" e durante a construção do Tabernáculo.
Foram também as mulheres judias que sempre demonstraram fé na redenção. Quando tudo parecia sombrio, desesperador mesmo, quando nenhum futuro parecia existir, quando a crueldade da escravidão egípcia fazia com que seus maridos não vissem propósito algum em gerar e criar a sua descendência foram elas que mantiveram acesa a luz da esperança. Enquanto eles, cansados e desanimados, estavam prestes a se render e a se resignar ao destino, elas continuaram a ter fé, acreditando que dias melhores estavam por vir.
O famoso episódio de Miriam, irmã de Moisés, é um exemplo desta particularidade que só as mulheres possuem e que nelas se destaca desde a infância. Durante a escravidão no Egito, o Faraó decretara que todos os varões judeus recém-nascidos fossem atirados ao Nilo. A história judaica conta que diante disso, Amram, pai de Moisés, líder de Israel, separou-se de sua esposa, afirmando que não havia mais motivo para trazer filhos ao mundo se estes iriam ser cruelmente afogados pelos egípcios. O ato de Amram é imediatamente seguido pelos demais homens de Israel. Miriam, a filha mais velha de Amram e Joquebede, na época com apenas 6 anos, ao ouvir a decisão do pai, intervém, dizendo: "Pai, seu decreto é mais severo do que o do Faraó. Ele só castigou os meninos, mas a sua decisão se estende sobre todas as crianças". E termina, profetizando-lhe que ele teria um filho que seria o futuro "salvador de Israel". Convencido pelas palavras da filha, Amram volta para a esposa e seu exemplo é novamente seguido por todos.
Joquebede engravida e, como Miriam predissera, dá à luz a um menino, Moisés. Após três meses, ao saber que os egípcios procuravam seu filho varão, os pais, desesperados, colocam-no em uma cestinha e o deixam ao sabor da correnteza do Nilo. Amram, preocupado com a sorte de Moisés, questiona Miriam sobre a concretização de sua profecia. Ela, porém, não desiste. Cheia de esperança, vigia de longe o irmãozinho. Vê quando Batya, a filha do Faraó, chega ao rio e encontra a cesta com o pequeno Moisés. A princesa resolve adotar o menino e procura uma ama de leite para ele. Prontamente Miriam intervém, mais uma vez, e propõe à filha do Faraó chamar Joquebede. E graças a essa nova intervenção de Miriam, Moisés é amamentado por sua própria mãe - até o dia que é levado de volta ao palácio do Faraó, onde seria criado como príncipe do Egito.
Foi portanto, graças à perseverança, tenacidade e esperança de Miriam, uma menina ainda, que Moisés veio ao mundo e é salvo das águas para se transformar no maior profeta de todas as épocas.
Enquanto os judeus estavam no deserto, o Todo Poderoso ordenou a Moisés para construir um Santuário. Todos os judeus colaboraram, cada um de acordo com suas possibilidades e talentos. Alguns contribuíram com as matérias-primas e metais preciosos necessários à edificação, enquanto outros - sábios artesãos e artistas - trabalharam na própria construção.
A Torá afirma que entre os itens doados havia grande número de jóias que as mulheres cederam espontaneamente e com alegria. Ao solicitar tal contribuição de suas esposas, os maridos acreditavam que elas recusariam, não querendo abrir mão de suas jóias. Baseavam-se, erroneamente, no que havia ocorrido durante o nefasto episódio do "Bezerro de Ouro". Os homens que orquestraram este pecado exigiram que as mulheres doassem seus ornamentos pessoais de ouro para fazer o bezerro. Mas elas se recusaram categoricamente, recusando-se a participar de um ato idólatra. Porém, quando o pedido foi feito visando a construção do Santuário para o Todo Poderoso, elas o atenderam prontamente e com um júbilo genuíno.
Entre os diversos utensílios do Santuário havia um objeto muito especial: o lavatório. Antes de qualquer serviço, os sacerdotes tinham obrigatoriamente que lavar as mãos e os pés, purificando-os. Conforme consta na Torá: "E ele (Bezalel) fez o lavatório de cobre e sua base de cobre com os espelhos das mulheres que se reuniam na entrada da tenda de encontro".
Rashi, o comentarista clássico, enfatiza que enquanto estavam no Egito, as mulheres judias haviam usado esses espelhos para se embelezar. Inicialmente, Moisés hesitou em os usar para a construção do tabernáculo, alegando que eram um instrumento de inclinação para o mal. Mas Deus interveio, ordenando que os aceitasse, com as palavras: "Receba estes espelhos, pois são queridos e preciosos para Mim, mais de que qualquer outra coisa".
Por que aqueles espelhos seriam queridos e especiais para Deus? Foi graças a eles que as mulheres conseguiram conceber milhares de crianças, enquanto estavam no Egito. Durante a escravidão, os homens haviam perdido a esperança. Não mais desejavam viver com as esposas, nem com elas procriar. Mas as mulheres não se deram por vencidas. A história judaica relata, que elas iam ao campo e, após se embelezar diante de seus espelhos, conseguiam encantar os maridos, convencendo-os a trazerem filhos ao mundo. Se não fosse pelo empenho delas, canalizado, de certa forma, por intermédio de seus espelhos, não haveria continuidade para a Nação Judaica. Os espelhos representavam, portanto, esta continuidade. Por isso, Deus ordenou a Moisés que os aceitasse como contribuição feminina à edificação do Santuário, tão queridos eram a Ele.
Por terem demonstrado sua lealdade nessas duas ocasiões, Deus as recompensou com um dia de festividade especial, dedicado somente a elas: o dia de Rosh Chodesh, o início do mês. Consta no Código de Leis - que apenas às mulheres é facultado o costume de realizar trabalhos "pesados". Pelo fato de possuir este espírito particular, somente as mulheres foram recompensadas com o dia festivo de Rosh Chodesh, que representa o renascimento e a renovação.
Foi, portanto, por acreditar que o tabernáculo era, no fundo, símbolo de sua "decadência" espiritual, que os homens não se entusiasmaram em doar seu ouro para construí-lo. As mulheres, no entanto, como vimos acima, despojaram-se pronta e alegremente de suas jóias. Não queriam sucumbir ao desespero. Acreditaram no futuro e, mais uma vez, mantiveram acesa a chama da esperança de um povo outrora escravizado.

3 - MULHERES NO PERIODO DOS JUÍZES E REIS
Esse período registra o mais sombrios da história de Israel, no 1º ciclo o povo de Deus pecava por desobediência e rebeldia em decorrência disso Deus permitia que seu povo fosse oprimido pelos inimigos e mais cedo ou mais tarde o povo acabava clamando ao Senhor e pedindo libertação. Então Deus levantava um libertador militar ou um juiz para resgatar o povo. A maioria dos juízes eram formados por libertadores locais, Israel ainda se constituía uma união de tribos, cujos mandatos ocorriam simultaneamente aos de outros, exceto por alguns como Débora, que foi líder nacional, a quarta e única juíza mulher de Israel. Também conhecida como profetisa, era mulher de coragem, organizou e levantou a resistência contra as investidas religiosas, culturais e políticas dos cananeus.
Antes de Débora exercer sua liderança incomum e de demonstrar sua capacidade de tomar decisões para salvar a nação de dificuldades, ela foi dona de casa, esposa e mãe. Ela tomou iniciativa e colocou-se a disposição, tornando-se vitoriosa ao confiar em Deus e, assim, inspirou outros ao seu redor a terem a mesma confiança.
Rute- A história de Rute acontece em algum momento durante o período dos juízes. Em Israel “cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 17:6). Mas durante aqueles dias difíceis e malignos havia os que seguiam a Deus. Noemi e Rute são belos exemplos de lealdade, amizade e compromisso para com o Senhor e uma para com a outra, fortalecendo os ensinamentos dados por Deus para seu povo.
Ester – De acordo com o ponto de vista tradicional, a importância em Israel sobre o exemplo de Ester é explicar a origem do feriado judaico de Purim, uma comemoração do livramento. Até hoje é lido, desde o começo até o fim, nas reuniões dos judeus como o rito central de observância do Purim. Apesar das mulheres serem isentas da freqüência obrigatória aos cultos, requer-se que estejam presentes para leitura da história que encoraja e renova a esperança dos judeus que desde aqueles tempos até os dias de hoje, vivem longe de Jerusalém.
               
4 – MULHER NO PERÍODO DO NOVO TESTAMENTO
Jesus elogiou as mulheres por sua fé, Mc 7:24-30, e usou muitos exemplos tirado da vida domésticas e do universo feminino em suas parábolas como em Mt 13:33. As mulheres tiveram papel vital no Novo Testamento, sendo ativa e vibrante.
Maria – cuidou de Jesus até a idade adulta, Lc 2:51-52
Suzana – apoiou o ministério de Jesus com suas energias e recursos, Lc 8:1-3
A mulher samaritana – ouviu as Boas Novas aceitou e passou a testemunhar a outras pessoas, Jo 4:28-30
A sogra de Pedro – recebeu Jesus e seus discípulos com hospitalidade, Mc 1:29-31.
Maria Madalena – não abandonou Jesus quando foi rejeitado. Ela foi a primeira pessoa a proclamar a ressurreição, Mt 27:55; Jo 19:25; 20:16.
Depois da ressurreição, as mulheres receberam o Espírito Santo (At 2:1ss, 18),a casa de uma mulher veio ser o centro da igreja em Jerusalém (At 12:12), foi uma mulher a primeira pessoa na Europa a se converter no ministério de Paulo (At 16:14) e na igreja primitiva as mulheres exerciam ministérios importantes (At 21:9).


“Mesmo sem muita ênfase a importância dessas mulheres e de muitas outras que se encontra no silêncio histórico e literal sustentou a esperança e a edificação de um povo chamado Israel”.       
Batista, William. Jan 2011




terça-feira, 28 de junho de 2011

Rendei tributos ao Senhor, ó filhos de gigantes" (Salmo 29)

Adaptado por William R. Batista
O Povo Judeu, como proclama o Salmo 29, é composto por filhos de gigantes; eles são os filhos dos três patriarcas - Avraham, Itzhak e Yaacov. Tal herança, uma linha espiritual tão nobre, significa ter dentro de si um tremendo potencial; mas, também, uma enorme responsabilidade a cumprir. E, conseqüentemente, significa que D'us espera muitíssimo de cada um de nós.
Ser judeu significa ter obrigações desde o momento em que desperta, pela manhã, até o momento em que se deita, à noite; desde o nascimento - de fato, o mandamento da circuncisão recai sobre um neonato do sexo masculino a partir de seu oitavo dia de vida - até o dia em que se deixa este mundo físico. Não é apenas em Rosh Hashaná, Iom Kipur ou mesmo no Shabat que tem que se lembrar de que é judeu. Não há momento, não há dia qualquer em que pode abstrair da Presença Divina e de Sua Providência. Ser judeu significa nunca perder de vista o fato de que Alguém está sempre nos observando e registrando todos os nossos atos. Muitos de nós talvez não preste muito atenção aos fatos da vida cotidiana; por exemplo, aquilo que comemos ou que dizemos. Talvez comer carne não-casher ou fazer algumas fofocas possa parecer sem importância no contexto macro deste mundo - mas, por alguma razão, todos estes atos pequenos muito contam perante D'us.
Um judeu, especialmente aquele que fala em nome da Torá, não pode fazer o que quiser e pensar que se livrará de seu ato. Conhecer a Glória de D'us e ignorá-Lo, ou rebelar-se contra Ele é um pecado dos mais graves. As conseqüências dos atos de uma pessoa devota são muito maiores do que as de alguém com menos profundidade. Dependendo do nível espiritual da pessoa, seus atos alcançam Alturas impensáveis nos mundos espirituais e se refletem de alguma maneira, em nosso mundo físico. E, portanto, quando uma pessoa devota - ou uma com grande potencial espiritual - peca, o dano pode atingir sérias proporções. A idolatria e o sacrilégio, o assassinato e a imoralidade, a desonestidade e a perversão da justiça podem ter sido a forma de vida da maioria das sociedades da Antigüidade, mas jamais poderiam ser toleradas em um reino e povo constituído 'por filhos de gigantes'. Foi por esta razão que Jerusalém caiu e o Templo Sagrado, foi destruído.

Mas, D'us, que é o Senhor de tudo, sabe exatamente o que fez ao escolher os judeus entre todas as nações. Ele não os escolheu apenas por serem filhos dos três patriarcas. Ele os escolheu porque conhece as fraquezas enquanto povo e sabe que, ironicamente, é a própria fonte de força. Se os judeus foram atraídos para a idolatria, foi porque sua sede de espiritualidade e transcendência é tão grande que chega a ser desorientada. Se os judeus fizerem mal um ao outro, é porque eles são muito mais do que um povo que comunga de uma história e uma religião comuns: eles são uma família intimamente entrelaçada e, como o restante da humanidade, lamentavelmente têm a estranha noção de terem liberdade de agir contra um membro de sua família da forma como não ousariam fazer com um estranho. A história de Caim e Abel, que não apenas pertence ao povo judeu, mas a toda a humanidade, comprova que crimes são, com freqüência, cometidos contra nossos próprios irmãos.
Na Torá, D'us se queixa, várias vezes, de que os judeus são um povo teimoso e obstinado - uma nação que não vacila, facilmente. Mas, por estranho que seja, logo após o episódio do bezerro de ouro, quando Moshé ora a D’us, pedindo-Lhe que perdoe o seu povo, ele diz: “pois é um povo obstinado, e Tu hás de perdoar...”
Sem dúvida, uma estranha linha de argumentação defensiva. Por que razão Moshé rogaria em nome dos judeus apontando a D'us um traço de caráter que, ao que tudo indica, Ele considera deplorável? Segundo Nachmânides, sábio espanhol do século 13, explica: Moshé, com aquelas palavras, dizia a D'us: "Tu conheces Teu povo. São terrivelmente obstinados. Transformá-los, requereria muito tempo e esforço. Deves lembrar-Te de que eles viveram no Egito, sociedade que era o epicentro da idolatria, durante séculos. Tu não podes esperar deles grandes mudanças em tão curto espaço de tempo. Levará muitos anos, ainda, para que possam transformar-se". Assim sendo, Moshé, que sabia exatamente o que fazia, conclui: "Mas quando eles se transformarem, a mesma teimosia estará a Teu lado. Eles jamais hão de Te abandonar".
Foi esta a razão para que D'us escolhesse o Povo Judeu. Pois que nada nem ninguém, nem mesmo um Holocausto conseguiu fazer vacilar. Em dois mil anos, povo judeu foi submetido a sofrimentos sem paralelo na história - a destruição de dois Templos, o exílio aos quatro cantos do mundo, perseguições e expulsões em massa, discriminação e ódio, tudo emanando de povos e pessoas a quem nunca maltrataram. Massacres, uma Inquisição e um Holocausto. E, contudo, esse povo como um todo não deixou de lado sua identidade judaica. Há histórias incontáveis sobre judeus, muitos dos quais não declaradamente religiosos, que se atiraram às fogueiras da Inquisição ou foram assassinados durante o Holocausto por se terem recusado a abandonar sua fé ou a realizar sacrilégios, tais como violar um Sefer Torá ou comer em Iom Kipur.
Mas, se pergunta, terá valido a pena tentar viver como filhos de gigantes, com todas as inevitáveis obrigações e responsabilidades? As respostas a esta e a outras perguntas semelhantes não são fáceis nem simples. Uma destas encontra-se no Talmud, em uma passagem que discute as conseqüências do pecado do bezerro de ouro. A passagem detalha os argumentos utilizados por Moshé para demover D'us de Seu decreto de aniquilação. Seu argumento final foi: "Mestre do Universo, caso Tu venhas a destruir Israel, as nações do mundo dirão: 'Seu poder se enfraqueceu... e Ele já não consegue salvar-nos. Quando se tratava de um único rei, no caso, o Faraó, Ele ainda pôde enfrentar e sair em nossa defesa. No entanto, Ele não tem como enfrentar trinta e um soberanos, isto é, todos aqueles que reinam sobre a Terra de Canaã". O que Moshé disse a D'us naquele malfadado dia, quando o futuro do Povo Judeu pendia por um fio, foi: "Tu escolheste para Ti o Povo Judeu. Tu e Teu Nome ligaste a eles. Se deixarem de existir os judeus, as nações do mundo dirão que o D'us de Israel não teve poder suficiente para preservar seu próprio povo, e deixarão de acreditar que Tu És Único  e o Único Senhor do Universo. A derrota do Povo Judeu é a Tua derrota". E como reage D'us a tal argumentação? D'us “volta atrás em Seu decreto” de aniquilar o Seu povo, dizendo a Seu profeta: "Moshé, com tuas palavras, tu Me mantiveste vivo entre todos os povos".
Há pessoas que podem se perguntar por que teria D'us os escolhido. Mas, para aqueles que crêem na Bíblia, não há dúvidas de que foi ao povo judeu que Ele escolheu. Na Torá, D'us diz a Seu povo "E serás para Mim um reino de sacerdotes e uma Nação Santificada" (Êxodo, 19:5). Judeus é uma nação que leva a mensagem de D'us ao mundo. O Livro de Ezequiel claramente explica que todo o Povo Judeu, um a um, sem faltar ninguém, são representantes e emissários de D'us neste mundo. Pois que os judeus levam em si o Nome de D'us e Seu Nome está intimamente ligado a eles. E, assim sendo, quando um dos judeus vacila espiritualmente - ou seja, se assimila ou demonstra um enfraquecimento em sua fé ou atua de uma maneira desrespeitosa perante o restante da humanidade - está manchando o Nome de D'us e Sua Presença neste mundo. Quando os gigantes do espírito têm um comportamento inadequado, eles são inevitavelmente seguidos pelo restante da humanidade e o resultado é corrupção e decadência. Assim, apesar do ônus inerente, apesar dos inúmeros desafios e tentações e inimigos, temos que continuar “judeus” e tentar desempenhar da melhor forma possível a nobre missão que D'us confiou a cada um de nós.
Bibliografia:
Talmud Bavli - Tratados: Ta'anit, Berachot e Chaguigá
Rabbi Steinsaltz, Adin (Even Israel), artigo "It Takes a Giant", 11 de março de 2003;
www.steinsaltz.org
www.morasha.com.br

domingo, 24 de abril de 2011

Pessach, que significa libertação e lembra o episódio do Êxodo do Egito


De acordo com a tradição, a primeira celebração de Pessach aconteceu há 3.500 anos, quando Deus enviou as dez pragas sobre o povo egípcio, com o objetivo de libertar os judeus da escravidão na terra dos faraós. Antes da décima praga, o profeta Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do animal imolado para que seus primogênitos não fossem atingidos pelo ´anjo da morte´.

O Pessach é comemorado por oito dias, e durante esse período é proibido comer, beber ou ter posse de qualquer alimento fermentado, substituindo-se o pão e seus derivados por um pão ázimo e sem fermento que é chamado "matzá".

O alimento sem fermento relembra o Êxodo. Os israelitas cozinharam o pão, antes da fuga do antigo Egito, por isso não houve tempo para a massa fermentar.
A celebração é marcada por dois jantares em dias seguidos, nos quais é lida na "Hagadá" (narração) a história da Páscoa Judaica, onde estimula a participação das crianças das famílias. Os judeus têm por mandamento narrar às futuras gerações a libertação do Egito.

Torá
Baseada na Torá, a Hagadá conta detalhadamente como os escravos choravam para Deus por sua salvação, e como estes gritos eram ouvidos. Após a libertação, cerca de 600 mil filhos de Israel deixaram o Egito. Quando alcançaram as margens do Mar Vermelho, estavam encurralados pelas carruagens do Faraó que os perseguiam. Mas então, miraculosamente, as águas do mar se abriram, e eles atravessaram em terra seca.

terça-feira, 8 de março de 2011

A ESTRELA DE DAVID


  Seu reconhecimento como símbolo exclusivamente judaico é um fato relativamente recente já que, na Antigüidade e mesmo durante a Idade Média, várias civilizações além da nossa usavam o hexagrama como símbolo místico ou puramente decorativo.

MONTE SINAI: O ENCONTRO ENTRE D'US E ISRAEL

No terceiro mês de saírem os Filhos de Israel da terra do Egito, neste dia chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto, e acampou ali Israel em frente ao monte (Êxodo 19:1).

Amós e a emergência do universalismo profético judaico

sábado, 5 de março de 2011

Destruída há quatro mil anos, "SODOMA" se tornou símbolo de perversão e decadência moral. E seu destino vem suscitando temor e curiosidade.

Antes de ser destruída, a cidade bíblica estava localizada na planície da Jordânia, área em forma de semicírculo, extremamente fértil, na fronteira sudeste do território canaanita. As referências bíblicas à Sodoma (Sdom, em hebraico) estão principalmente no livro Gênese e sua queda é relatada nos capítulos 18-19. Mas, é também citada em Deuteronômio, no Livro de Jó e no Talmud, assim como por nossos profetas. O controvertido historiador Flávio Josefo (37-100 desta Era), a menciona em sua obra. Sdom aparece pela primeira vez no capítulo Lech Lecha, quando Lot, sobrinho de Abraão, estabeleceu-se no vale do Jordão, escolhendo a cidade para lá estabelecer sua família. Assim a Torá a define: "E os homens de Sodoma eram maus e pecadores contra o Eterno" (Gênese 13-13).
Desde a primeira menção, é identificada como o epítome da crueldade e perversão. Sodoma era a antítese de tudo o que Abraão acreditava e simbolizava. A hospitalidade, virtude das mais praticadas por nosso patriarca, lá era proibida. Os sodomitas odiavam os forasteiros, aos quais não ofereciam hospitalidade, submetendo-os a abusos sexuais. A caridade era considerada crime grave, sendo executado quem a praticasse. Conta o Midrash que a lei determinava que quem alimentasse um pobre morreria na fogueira. Mas Plotit, filha de Lot, teve destino ainda pior. Certa vez, viu na rua um mendigo e decidiu alimentá-lo. Quando os habitantes da cidade perceberam o que Plotit fazia, prenderam-na, tiraram suas roupas, lambuzaram seu corpo com mel e puseram-na sobre a muralha da cidade, para que morresse picada pelas abelhas (Sanhedrin 109).
Relata a Torá que D'us ouviu o "clamor" das vítimas das iniqüidades cometidas pelos habitantes de Sodoma e da vizinha Gomorra. O Eterno revela, então, a Abraão, a Sua intenção de destruir completamente as duas cidades. O patriarca tenta intervir junto ao Senhor, para as salvar. Pede ao Todo Poderoso que tenha consideração com os Justos que lá residiam. D'us lhe promete que, se houvesse ao menos dez Justos em Sodoma, salvaria toda a cidade. Porém, na cidade não havia um Justo sequer...
E, embora o Todo Poderoso não tenha salvo a cidade, poupou Lot e sua família. E isto ocorreu em grande medida pelos méritos de seu tio, Abraão, mas também porque, mesmo após morar entre sodomitas, Lot ainda guardava em si o espírito da hospitalidade que aprendera com nosso patriarca. Quando os habitantes da cidade descobrem que ele acolhera dois "forasteiros" em sua casa, enfurecidos exigem que os entregue. Mas Lot sai em defesa de seus hóspedes.
Os estrangeiros, que, na realidade, eram anjos enviados por D'us para destruir a cidade, ordenaram a Lot que, com toda a sua família, deixasse imediatamente aquele lugar condenado. E, ao amanhecer, levam-no, com a mulher e duas filhas solteiras, para fora da cidade, alertando: "Sequer olhem para trás".
Assim que Lot e seus familiares partem, D'us faz chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Não obedecendo às ordens dos anjos, a mulher de Lot se virou para olhar o que acontecia na cidade condenada. A punição veio como um raio: foi transformada em estátua de sal. De acordo com o Talmud, este sal chama-se Melach Sedomit, sal sodômico. Josefo, em sua obra, afirma que durante sua vida, o pilar de sal ainda podia ser visto.
De manhã, quando Abraão voltou ao lugar onde D'us lhe aparecera, viu a destruição que se abatera sobre Sodoma e demais cidades vizinhas. Densa fumaça ocultava o vale e, as chamas rapidamente consumiam a terra. Uma chuva de sal completava a catástrofe (Deut.29:22 ). Na planície queimada por enxofre e sal, a terra tornara-se estéril, sendo que lá "nada podia ser plantado e nenhuma vida brotaria". (Deut. 29:22). Quando a devastação se completou, um enorme lago de sal e betume espalhava-se a leste do deserto de Judá, em hebraico conhecido como o Yam Hamelach, o mar de sal. Na antigüidade, foi também chamado de Hayam Hacadmoni, o antigo mar;Yamá shel Sdom, mar de Sodoma; e, ainda, Yam Ha'aravá, mar do vale do Aravá. O nome Mar Morto somente surgiu após o advento do Cristianismo, atribuído pelos monges cristãos, pelo espanto causado pela aparente ausência de qualquer forma de vida em suas águas.
Hoje, o Mar Morto, cujas águas contêm 33% de sal, quantidade dez vezes superior à encontrada no Mar Mediterrâneo, é considerado uma das maravilhas do mundo. É um grande lago represado entre colinas, com 76km de comprimento por 18km de largura, e tem, em sua parte mais funda, 400m de profundidade. Suas margens, a 396m abaixo do nível do mar, são o ponto seco mais baixo do mundo. Em seu redor, espalham-se montanhas de sal naturalmente esculpidas em forma de chaminés e cavernas. Entre estas, pode-se distinguir perfeitamente uma escultura em forma de cogumelo, que, segundo antigas tradições, seria a estátua da mulher de Lot.
A região
A exploração econômica da região já se iniciara desde o tempo dos nabateus, que vendiam betume. (o depósito de lama que se acumulava no fundo do lago) aos egípcios, que o utilizavam para embalsamar seus mortos. Este comércio que se estendeu até a era romana.
Flávio Josefo, na História da Guerra Judaica, escreve: "... região de Sodoma, território outrora próspero por suas colheitas e pela riqueza de suas diversas cidades, mas, atualmente, inteiramente queimado. Diz-se que a impiedade de seus habitantes lhes valeu serem abrasados pelo raio... ainda lá existem traços do Fogo Divino e se podem ver vestígios de cinco cidades... A narração lendária sobre a região de Sodoma é, pois, plenamente confirmada por aquilo que se vê".
Sobre o Mar Morto, que Josefo chama de "lago de asfalto", ele escreve: "Salgado e estéril.... sua água faz boiar os objetos, por mais pesados que sejam...". Os gregos falavam com insistência em gases venenosos que se desprendiam por toda a parte nesse mar, enquanto os árabes diziam que, há muito, nenhuma ave conseguia sobrevoar de uma margem a outra. Diziam que, ao tentar cruzá-las, as aves se precipitavam subitamente n'água, já sem vida.
Mas, onde realmente se localizava Sodoma? Com base em informações contidas na Torá e nas várias formações de sal da região, os arqueólogos têm tentado, em vão, definir sua localização exata. Apesar de alguns terem centrado suas buscas ao norte do Mar Morto, a maioria acredita que as antigas Sodoma e Gomorra se situassem ao sul do lago, em uma área de formação geológica mais recente do que o restante da região. A tese da posição geográfica ao sul parece ser sustentada também por uma tradição local, como mostra o nome árabe da montanha de sal, Jebel Usdum, ou seja, Montanha de Sodoma, no extremo sudeste do mar Morto. A montanha tem 10km de comprimento, 5km de largura e 30m de espessura. Embora esteja coberta por uma camada de terra de alguns metros de espessura, o restante de sua composição é sal sólido.
História moderna
No século XX, o nome Sodoma foi dado a um sítio industrial a sudeste do Mar Morto. Desde o início do século, engenheiros que visitavam o local e, até mesmo, Theodor Herzl, logo percebem o enorme potencial do Mar Morto para a extração mineral, mediante o uso da energia solar. A atual cidade de Sdom foi fundada em 1937. Logo depois, construiu-se em Kalia, no extremo norte do Mar Morto, plantas de potassa para constituir uma filial da Palestine Potash Co. À época, não havia estradas que ligassem o local à cidade; a comunicação era feita através de pequenos barcos, que atravessavam o Mar Morto.
Em 1947, o plano de Partilha da Palestina elaborado pelas Nações Unidas incluía Sodoma, ou Sdom, dentro das fronteiras do futuro Estado de Israel. No início da Guerra da Independência, em 1948, Kalia passou para o controle da Legião Árabe, ficando Sdom totalmente isolada de Israel. A única maneira de enviar suprimentos à cidade era por via marítima ou aérea. Durante seis meses, de agosto a dezembro de 1948, víveres foram enviados em pequenos aviões, até que a área foi libertada por uma unidade das Forças de Defesa de Israel.
A estrada que finalmente uniu Beersheva a Sodoma foi terminada em 1952 e, dois anos mais tarde, a empresa estatal Dead Sea Works Ltd., de produtos químicos, pôde iniciar atividades. Na época, a região era uma das poucas fontes de fertilizantes à base de potassa para a África e Ásia. Atualmente constitui o quarto produtor mundial e fornecedor de produtos derivados do mineral.
A região abriga atualmente outras indústrias do setor de potassa, fosfato e sal. Em 1955 foi inaugurada a companhia Dead Sea Bromine, que figura entre as maiores produtoras mundiais de brometo. Em 1996, a empresa alemã Volkswagen AG e a israelense Dead Sea Works Ltd. anunciaram um investimento conjunto de US$ 600 milhões, em um projeto de instalação de uma usina para extração de magnésio, no Mar Morto.
Apesar da aridez que castiga a paisagem local, o Keren Kayemet LeIsrael (KKL), valendo-se de tecnologia de ultimíssima geração, está implantando, na região em torno de Sodoma, uma atividade econômica altamente rentável e nova para o local: a piscicultura.
Edição 51 - Revista Moreshá, Dezembro 2005 

As 10 pragasdo Egito 4

A décima praga: a morte dos primogênitos egípcios
A décima e última praga é amplamente anunciada por Moshê, que alerta o Faraó que, por volta da meia-noite, D'us, Ele Próprio, passaria sobre o Egito e golpearia todos os primogênitos - filhos de homens ou de animais.
Era o clímax de todas as anteriores. Seu aspecto de punição é imensamente mais severo do que o das outras, cujo principal objetivo era incutir nos egípcios a fé em D'us. Durante esta praga, D'us, Juiz Supremo, executou o castigo, "medida por medida", pelo decreto de extermínio que o Egito lançara contra o Povo Judeu. O Faraó, que emitira a ordem de que todo menino judeu fosse afogado no Nilo, e os egípcios, que a haviam executado, presenciaram a morte de seus primogênitos na noite que antecedeu o Êxodo. À meia-noite, todos os primogênitos egípcios, inclusive o filho do Faraó, faleceram a um só tempo. A única exceção foi o Faraó, ele próprio um primogênito. D'us poupou-lhe a vida porque, às margens do Mar de Juncos, no episódio da abertura do mar, ele ainda iria testemunhar, uma vez mais, o ilimitado poder de D'us. (V. Morashá - edição 48 - abril de 2005).
Naquela fatídica noite nenhum judeu faleceu; D'us postergou até mesmo a morte dos que haviam terminado seu tempo na Terra. Demonstrava assim, mais uma vez, a clara distinção entre os oprimidos e os opressores. Naquela noite, os Filhos de Israel vivenciaram uma nova dimensão da Justiça Divina e tiveram a certeza que D'us Misericordioso os libertara da escravidão.
Uma dimensão mística das Dez Pragas
A Cabalá revela que a alma humana é composta de dez pontos de energia - dez características - que correspondem aos dez fluxos de Energia Divina, denominados de Sefirot, na Cabalá. Ao ser humano foi dado o livre arbítrio, a opção de utilizar estas características tanto para o bem quanto para o mal.
O antigo Egito - sociedade baseada na idolatria, imoralidade e total falta de respeito pela vida e dignidade humana - representa a corrupção de cada uma das Dez Sefirot. Por este motivo, foram dez as pragas que atingiram o país. As calamidades foram fruto inevitável da crueldade egípcia, conseqüências espirituais que se manifestaram fisicamente. Por outro lado, ensina a Cabalá, os Dez Mandamentos, outorgados 50 dias após o Êxodo do Egito, no Monte Sinai, são o "antídoto" das Dez Pragas. Pois se as Pragas refletiram a perversão dos dez atributos da alma humana, os Dez Mandamentos refletem sua retificação espiritual.
O relato das Dez Pragas é fonte de inúmeras lições espirituais. A principal é que a corrupção espiritual, a maldade e a injustiça criam entidades espirituais negativas que acabam voltando-se contra seu próprio criador. Em contraponto, os Dez Mandamentos nos revelam que a ligação com D'us, a bondade e a justiça são o caminho para que a alma humana se manifeste em toda a sua harmonia e esplendor, canalizando bênçãos naturais e sobrenaturais para este nosso mundo físico.
Bibliografia
· Hagadá de Pessach, com comentários do Talmud e literatura rabínica, Fundação J. Safra, 2007
· The Call of the Torah - Shemot, Rabbi Elie Munk, Artscroll Mesorah Series.
· The Sepharadic Heritage Haggadah, The Sutton Edition, Rabinos Elie Mansur, David Sutton e Hillel Yarmove, Art Scroll Sepharadic Mesorah Series, 2006

As 10 pragasdo Egito 3

Uma terceira praga castiga o Egito, após nova recusa do Faraó em se dobrar perante D'us. Após Aharon ter golpeado o pó com o cajado, seguindo a ordem Divina, a terra de todo o Egito se transforma em piolhos e pequenos insetos, que picam mortalmente os egípcios e seus animais. Foi no decorrer desta terceira praga que os feiticeiros egípcios alertam seu rei que Moisés e Aharon não eram magos nem tampouco eram "as ocorrências" fruto de algum tipo de feitiçaria. Eram enviados de D'us. Segundo o Midrash, foi no final dessa praga que os judeus pararam de trabalhar para os egípcios.
Esta primeira série de pragas foi lançada por Aharon e não por Moshê, porque este tinha um débito de gratidão com as águas do Nilo e com a terra do Egito. Quando Moisés nasceu, sua mãe, para salvá-lo do édito infanticida egípcio, colocou-o numa cesta sobre o rio e as águas o mantiveram vivo, conduzindo-o até Batia, filha do Faraó, que o resgatou. A terra também o ajudou, pois encobriu o corpo de um algoz egípcio, que Moshê matara para salvar a vida de um judeu. D'us, portanto, incumbiu Aharon de lançar as primeiras três pragas, porque, como Ele próprio afirma, "as águas que cuidaram de ti quando foste lançado ao Nilo...e a terra que veio em teu auxílio quando mataste o egípcio...não é justo que por ti sejam amaldiçoadas".
A segunda série: animais selvagens, peste e sarna
Iniciando o segundo grupo, a quarta praga é precedida pela declaração Divina: "Para que saibas que sou o Eterno no meio da terra" ( 8:18). Por todo o Egito, bandos de animais selvagens, cobras e escorpiões atacam os egípcios, mesmo dentro de seus lares, e destroem tudo que encontram pelo caminho. Mas, como D'us afirmara, "Separarei nesse dia a terra de Goshem", nenhum destes animais adentrou na terra onde habitavam os judeus. Segundo Rashi, numa clara demonstração de Seu Poder, mesmo os judeus que estavam em outros lugares não foram atacados.
A quinta praga é uma peste fatal que mata os animais domésticos dos egípcios que pastavam nos campos, inclusive os carneiros, que eram considerados um de seus deuses. No entanto, nenhum animal de qualquer judeu foi atingido. Segundo Rabi Alkabetz, a partir daquele momento o sofrimento egípcio se tornou tão intenso, que até o Faraó já estava disposto a ceder. D'us, no entanto, endureceu-lhe o coração, pois queria que os Filhos de Israel vissem a totalidade e abrangência de Sua Força e aprendessem a Nele ter fé.
A sexta praga que atinge os egípcios e seus animais, geralmente chamada de sarna, era na realidade, bolhas que se transformavam em úlceras, causando grande sofrimento físico. Mesmo os feiticeiros egípcios foram atingidos pela doença.
Esta segunda série de pragas foi uma clara demonstração de que a Providência Divina, a Mão de D'us, está presente em tudo o que acontece. O fato de nenhum judeu ter sido atingido era mais uma prova de que D'us controla tudo que ocorre no mundo, inclusive o comportamento dos animais e as aflições físicas.
O terceiro grupo: granizo, gafanhotos e escuridão
O objetivo desta última série de pragas, anunciado pela declaração "Para que saibas que não há ninguém como Eu, em toda a Terra" (9:14), foi demonstrar o infinito poder de D'us. Um outro propósito para a ação Divina é revelado por Moisés, quando informa ao Faraó que, apesar de merecer morrer, sua vida fora poupada para que ele reconhecesse a grandeza de D'us Único e Verdadeiro. "Para que Meu Nome seja anunciado em toda a terra" (9:16), afirma D'us. E para que fosse transmitido, de geração em geração, o relato do que estava ocorrendo no Egito, ou seja, a manifestação explícita de Sua Vontade.
Na sétima, uma violenta tempestade de granizo assola o país. O mundo nunca vira algo igual. Muito menos o Egito, onde, devido à escassez de chuva, este fenômeno meteorológico era desconhecido. Havia um aspecto sobrenatural nesta praga: o granizo vinha acompanhado de fogo. Dois elementos opostos - o fogo e a água - conciliados a fim de mostrar a Onipotência Divina. Antes da sétima praga, D'us alertou os egípcios para procurarem abrigo durante a chuva de granizo, pois, nenhum ser vivo e nenhum vegetal escapariam incólumes. E os que acreditaram nas palavras de Moisés procuraram abrigo, tanto para si como para seu gado.
Na oitava praga, um vento do leste trouxe em seu bojo nuvens de gafanhotos, que escureceram os céus. Os insetos devoraram cada folha verde que, porventura, sobrevivera ao granizo e às pragas anteriores. Invadiram os lares e os campos egípcios e trouxeram ruína total ao país, já praticamente destruído pelas catástrofes anteriores. Pela primeira vez, o Faraó reconhece seus erros, mas ainda permaneceu firme na determinação de não deixar partirem os judeus.
Quando a nona praga se abateu sobre o Egito, uma "escuridão tangível", impenetrável, tão densa que apagava qualquer luz, envolveu o país por seis dias. Mais uma vez, um fenômeno natural - a escuridão - se manifestou de forma sobrenatural, pois enquanto nos lares egípcios não era possível acender uma luz, nos lares judaicos, havia luz abundante. Os egípcios, tomados de pavor, permaneceram imóveis onde se encontravam. Ao descrever a praga, a Torá menciona "escuridão e trevas": escuridão no sentido físico e trevas no sentido espiritual. A Torá nos ensina que esta praga refletia o egoísmo prevalente no Egito: "Não via nenhum homem a seu irmão", pois cada egípcio via somente a si próprio; assim aconteceu durante a praga da escuridão, ninguém se mexeu para socorrer o outro, pois a ajuda mútua não fazia parte de sua visão de mundo.

As 10 pragasdo Egito 2

Por que dez?
As Dez Pragas castigaram o Egito durante praticamente um ano, iniciando-se no fim do mês de Iyar e terminando apenas no dia 15 de Nissan. As primeiras sete pragas constam no Livro do Êxodo, na porção Va'eirá (7:19-9:35), e as últimas três na porção Bô (10:1-12:33).
A seqüência de eventos que antecedem as pragas tem início quando o Faraó se recusa a obedecer à ordem Divina transmitida por Moshê e Aharon: "Envia Meu povo para que festejem para Mim no deserto" (5:2). O rei do Egito responde com insolência: "Quem é o Eterno para que eu escute Sua voz e deixe partir o Povo de Israel? Não conheço o Eterno e também não despacharei Israel" (5:2). E, num gesto desafiador, decide afligir ainda mais os Filhos de Israel. Ordena a seu povo que não mais entreguem aos judeus a palha necessária para a confecção dos tijolos; a partir de então lhes caberia o esforço adicional de buscar a matéria-prima para cumprir suas cotas diárias. O não-cumprimento era punido com tortura física. Seu sofrimento tornara-se ainda mais insuportável e, ao ser questionado por Moshê, D'us responde: "Agora verás o que farei ao Faraó". Nosso profeta e toda a humanidade iriam testemunhar como o Eterno redimiria o Seu povo.
A pergunta, porém, permanece: Por que, ao invés de atingir os egípcios com um único golpe, D'us optou por um processo gradual e crescente? Por que foram necessárias Dez Pragas? Segundo nossos Sábios, são inúmeros os motivos. O Midrash revela que cada praga foi conseqüência direta de uma ação específica e equivalente mau-trato, tortura ou crueldade perpetrados pelos egípcios contra os Filhos de Israel. A Justiça Divina determinara que os egípcios deveriam ser punidos "medida por medida" pelas crueldades cometidas contra Seu Povo. Além do mais, a sucessão de pragas e os avisos que as precederam eram necessários para dar ao Faraó a oportunidade e o tempo de reconsiderar suas ações, arrependendo-se da crueldade perpetrada contra os judeus. Somente após o rei do Egito ter "endurecido seu coração" e, repetidamente, se recusado a libertar o povo judeu, as portas do arrependimento finalmente se fecharam. Maimônides explica que, às vezes, o castigo que D'us impõe a quem cometeu um grave pecado é privá-lo da possibilidade de se arrepender. Este é o significado da expressão usada na Torá, "Endurecerei o coração do Faraó".
As Dez Pragas formam um sistema coerente, de intensidade crescente. A cada recusa do Faraó em atender a ordem Divina de deixar Israel partir, uma nova calamidade se abate sobre o Egito. As primeiras nove são divididas em três séries, de três pragas cada, que se sucedem de acordo com um plano. Cada série aumenta em progressão em direção a um clímax, sendo que a última serve de prelúdio para a décima praga - a Morte dos Primogênitos. Em cada série D'us manifesta Seu poder, mudando o curso das leis da natureza em uma das três esferas da Criação - a terra, a atmosfera e os céus.
Segundo Rabi D. Isaac Abravanel, um dos objetivos das pragas era convencer o Faraó, seu povo e, conseqüentemente, toda a humanidade de três verdades fundamentais sobre D'us: Sua Existência, Sua Divina Providência - ou seja, que a Mão de D'us está presente em tudo o que acontece na vida dos homens e das nações - e Sua Onipotência. Por isto, a primeira praga de cada grupo é precedida por uma declaração que caracteriza um desses princípios.
A primeira série: sangue, rãs e piolhos
"Assim falou D'us: 'Nisto saberás que sou o Eterno'" (7:17). A afirmação indica que o objetivo da primeira série é estabelecer a inegável existência de um D'us Único, Criador Absoluto e Senhor do Universo.
A primeira praga atinge o Nilo - considerado pelos egípcios uma divindade. Rashi, o comentarista clássico da Torá, explica que, como havia escassez de chuvas no Egito, a principal fonte de água era este rio que, ao extravasar, irrigava a terra. Por isso os egípcios o consideravam a divindade responsável pelo seu sustento. Quando, seguindo a ordem Divina, Aharon golpeia o Nilo com seu cajado, não só suas águas, mas as de todo o Egito, transformam-se em sangue. A primeira praga veio para demonstrar aos egípcios que sua "divindade, o rio", não era capaz de deter a Vontade do Criador. O Midrash explica que, para os judeus, a transformação das águas do Nilo em sangue foi muito significativa, pois compreenderam que D'us estava punindo os egípcios por terem jogado nas águas daquele rio o sangue de seus filhos.
Pela segunda vez o Faraó se recusa a libertar Israel. D'us, então, ordena a Aharon que estenda novamente a mão sobre o Nilo. Rãs, cujo coaxar enchia os ares, emergem do rio e se multiplicam incessantemente, invadindo as casas egípcias. A segunda praga era a prova de que não só o Nilo não conseguira deter a Vontade do Criador, mas que, ao produzir as rãs, o próprio rio estava a Seu serviço.

As 10 pragasdo Egito 1

O episódio das Dez Pragas, chamadas em hebraico de Makot Mitzrayim, literalmente Pragas do Egito, relatado e elucidado na Hagadá de Pessach, consta no Livro do Êxodo. Numa primeira leitura, a aparente razão para tais calamidades foi a obstinada recusa do Faraó em obedecer a ordem do Eterno de libertar Israel. No entanto, se este fosse o único propósito, um único golpe devastador teria sido suficiente. Por que, então, D'us optou por dez calamidades? Porque, através das Dez Pragas, o Eterno demonstrou não apenas ser O Criador do Universo, mas Senhor Único e Absoluto dos Céus e da Terra, Juiz Supremo e Força Regente da Natureza. No Egito, a contundente revelação da Onipotência Divina fez com que mesmo os mais incrédulos entre os Filhos de Israel fossem obrigados a reconhecer o ilimitado Poder Divino. O principal objetivo das múltiplas pragas foi, portanto, demonstrar a Israel que D'us de seus ancestrais, D'us de Avraham, Yitzhak e Yaacov, é D'us Único, Senhor sobre a natureza e sobre as outras nações, e que não há outro além Dele.
As pragas serviram também como o grande castigo pela escravidão, tortura e campanha de genocídio perpetrada pelos egípcios contra o Povo Judeu. Mas a Torá não é um simples compêndio de história judaica e o judaísmo não permite celebrar o sofrimento alheio, ainda que seja o dos inimigos de Israel. As Dez Pragas são relatadas na Torá e na Hagadá não como celebração da Justiça Divina, mas como fonte de lições espirituais.
A Criação e as Dez Pragas
O primeiro dos Dez Mandamentos afirma: "Eu sou o Eterno, teu D'us, que te tirou do Egito da casa da escravidão", e não, "Eu sou o Eterno, teu D'us, que criou o universo". Explicam nossos Sábios que, através deste primeiro mandamento, D'us alerta os homens de que Ele não é apenas o Criador, mas está presente e profundamente envolvido em cada detalhe da vida de cada uma de suas criaturas.
O conceito do Criador do Universo é extremamente abstrato e a Criação é um dos grandes segredos do universo. O pouco que se sabe a respeito faz parte da Cabalá e vem sendo transmitido, de geração em geração, para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do Povo Judeu. Em geral, o assunto é inacessível, mesmo aos mais eruditos. Já o episódio das Dez Pragas pode e deve ser aprendido por todos, inclusive as crianças. A razão é que, ainda mais do que a Criação, as Dez Pragas demonstram a Onipotência Divina em Suas diferentes manifestações.
E, se durante a Criação, somente o próprio Criador estava presente, quando dos acontecimentos no Egito, milhões de judeus e egípcios testemunharam e vivenciaram os milagres realizados por D'us. E para os mais céticos que não aceitam a Torá como a Palavra de D'us, há documentos egípcios e evidências históricas e arqueológicas que atestam as terríveis catástrofes que se abateram sobre o Egito, na época em que ocorreu o Êxodo.
No decorrer das Dez Pragas, o Eterno revelou Seu controle absoluto sobre a natureza. Utilizando-se de pragas naturais, manifestas, no entanto, de forma sobrenatural, demonstrou, que está simultaneamente na natureza e acima desta, pois Ele não é limitado por qualquer elemento de Sua criação. E, não foi simples coincidência o fato de ter optado por castigar o Egito com pragas relacionadas à natureza, pois, para os egípcios, o rio Nilo, os animais e o próprio Faraó eram considerados divindades. O Eterno quis demonstrar que nenhuma suposta divindade poderia deter Sua vontade, pois que cada elemento da natureza era Seu servo. D'us queria tirar dos judeus qualquer vestígio de paganismo porventura assimilado em sua longa permanência naquela terra. Além do mais, no Egito, idolatrava-se a matéria - a abundância e a fartura - e, ao transformar o Nilo em sangue, ao destruir as colheitas e os bens egípcios, D'us provou que a Terra inteira Lhe pertence e que tudo que o homem possui advém Daquele que a tudo criou.
Os castigos que se abateram sobre todo o Egito não atingiram os judeus que lá viviam ou a terra de Goshem onde habitavam. Ao fazer esta distinção entre o opressor e o oprimido, manifestou-se no mundo terreno a Justiça Divina. Foi revelado ao homem que todos seus atos têm conseqüências, sejam bons ou ruins. As pragas revelaram, também, o poder e eficácia da oração e da ligação com D'us, pois foram as orações de Moshê que puseram fim a cada uma das pestilências.

O Nascimento de Israel

Israel Bíblico

A questão não é: "Quanto Israel é religioso?", mas: "Quanto Israel é bíblico?"
Encontramos o fio da meada para a resposta em Ezequiel 37. Segundo a seqüência lá encontrada, primeiro os judeus retornam à sua terra como monte de "ossos secos" vindos da dispersão para Sião. Enfim de volta à terra de seus pais, "havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles", isto é, os que voltaram para casa se tornaram um corpo nacional, o que começou a acontecer em 1948 com a fundação do Estado judeu. Só bem no final, como terceira e última etapa, o Espírito de Deus entrará neles. Só então, a sua posição de direito se transformará de fato na situação para que foram predestinados e que corresponde ao caráter que deveriam ter, ou seja, eles se tornarão em povo santo de Deus também na prática. Atualmente o corpo está se formando, o recipiente vazio toma forma, o que representa a condição para que possa receber dentro de si o Espírito de Deus. Nos exemplos a seguir podemos ver que o recipiente já vai assumindo formato bíblico:
O povo
Os judeus são em primeiro lugar um só povo. Não uma religião pela qual cada um se decide individualmente, mas um povo pelo qual Deus se decidiu. Pois como descendentes de Abraão, Isaque e Jacó foram escolhidos por Deus, sendo, portanto, um só povo por descendência. O fato dos escolhidos adorarem o Deus que os escolheu, a JHWH, é apenas uma conseqüência dessa eleição divina. Por exemplo, reconhece-se que os judeus são um só povo, por fazerem parte do povo de Deus inclusive aqueles judeus que não têm vínculo algum com a religião judaica. Nos quase 2.000 anos de diáspora (dispersão) entre todos os povos, os judeus continuaram isolados como um povo e sobreviveram a todas as ondas de perseguição. Assim Deus preservou os judeus como um povo – os religiosos e os não-religiosos – até aos dias de hoje. O Estado de Israel é, portanto, a continuação do povo bíblico, o que se mostra inclusive nos cohanin, os descendentes de Arão, que são os únicos a possuírem o gene YAP DYS19B.
A terra
"Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais. (Ez 36.24,28a). Quando, no começo do século, o movimento sionista enfrentou resistência em seus esforços de se estabelecer em Eretz Israel (a terra de Israel), surgiu a tentação de se criar o Estado judeu em Madagáscar ou em Uganda. Mas por esta não ser a pátria bíblica, esses planos resultaram em nada. Assim, o Estado de Israel surgiu, apesar de toda a oposição, nas terras bíblicas segundo as promessas divinas, e as novas aldeias e vilas foram sendo construídas em cima de ruínas de lugares bíblicos. Nisso se reconhece que Deus trouxe os judeus de volta para sua pátria bíblica.
A língua
A língua oficial de Israel é o hebraico bíblico enriquecido com vocábulos modernos e se chama "ivrit". Isso significa que hoje poderíamos conversar com o rei Davi, com o profeta Isaías e com o apóstolo Paulo. Elieser Ben-Yehuda (1858-1922) ressuscitou e deu nova vida ao hebraico bíblico, que, na Diáspora, era a linguagem usada na liturgia e na teologia. A língua hebraica se manteve em seu estado original e não se modificou com o passar do tempo como aconteceu com as outras línguas vivas (por exemplo, o grego) porque ficou hibernando por quase 2.000 anos e conservou-se igual ao hebraico bíblico original.
A moeda
Já há 2.000 anos a.C. o "shekel" (siclo) era uma moeda. Abraão pagou a caverna de Macpela com 400 siclos de prata (Gn 23). O siclo era a moeda para se pagar o tributo ao templo em Jerusalém. Em 1982, Israel reintroduziu essa moeda bíblica e passou a usar outra vez o siclo como moeda corrente.
A religião
Outras religiões se modificaram, reformas e contra-reformas adaptaram as religiões ao espírito de cada época. Com o judaísmo não foi assim. A religião judaica se ateve teimosamente aos preceitos da Bíblia. Nem o hebraico bíblico podia ser revisado, para se ter a garantia de que as normas e mandamentos religiosos oriundos da Bíblia, as orações, festas e rituais se mantivessem inalterados. Do sábado não se fez o domingo, os dias continuam a começar pelo anoitecer, a direção para se orar continua sendo Jerusalém. A circuncisão, o xale de oração, a trombeta de chifres tocada nas festas e os rolos da Torá escritos à mão continuam sendo os mesmos como nos tempos bíblicos.
A legislação
Apesar de Israel ser um Estado democrático moderno, sua legislação se baseia em fundamento bíblico. Assim, em Israel não existe casamento civil, só a cerimônia religiosa rabínica, segundo a qual os cohanin (descendentes de Arão) não podem casar com pessoas separadas. Contratos de arrendamento só têm validade por 49 anos, para que no 50º ano, que é ano de jubileu, tudo volte às mãos de seus proprietários originais. Soldados israelenses prestam juramento com a Bíblia sobre o peito e com a arma na mão. E ainda não existe uma Constituição em Israel. Desse modo, a lei bíblica continua sendo a instância máxima para a legislação em Israel.
Tudo em Israel...
...tem idade bíblica, mas isso não faz de Israel um museu. Ele é um dos países mais modernos do mundo. Em outros lugares se abandonam as tradições dos antepassados, mas em Israel existe uma volta à antiga Bíblia. Assim, Israel vai se tornando mais e mais um recipiente com formato bíblico para, algum dia, estar em condições de receber em si o Espírito de Deus (Ez 37 e Jr 31). Por enquanto Israel é bíblico apenas em sua forma exterior, mas interiormente ainda não, contudo todas as coisas têm a sua hora para acontecer.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os dez significados do Alef-Bet

1. ConceitoO princípio conceitual subjacente associado com a letra.2. SignificadoO significado literal do nome da letra.
3. FormatoA associação visual primária relacionada ao formato das letras.
4. NúmeroO valor numérico da letra segundo calculado pela Guematria.
Correspondências básicas nas três dimensões de:5. EspaçoOs elementos físicos, os corpos celestiais e os signos do zodíaco.6. TempoAs estações, os dias da semana e os meses do ano.
7. AlmaOs membros e órgãos do corpo humano, responsáveis por mediar experiências relacionadas com o "eu".
Associados:8. Qualidade, dom ou sentidoExpressões inatas ou adquiridas de experiência vivida, controlada pelos membros acima e órgãos da alma.9. ArquétipoFiguras arquetípicas da história de Israel.
10. CanalOs canais horizontais, verticais e diagonais conectando as Dez Sefirot

Alef Beit : o Alfabeto Hebraico


O alfabeto hebraico é composto de 22 letras, escritas da direita para a esquerda.

O alfabeto hebraico, também conhecido como Alef-Beit, é o utilizado para escrever o hebraico, que é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas, mais falada em Israel.
O hebraico (Ivrit) é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas. A Torá, que os crentes judeus ortodoxos consideram ter sido escrita na época de Moisés, foi redigida no hebraico dito "clássico".
Embora hoje em dia seja uma escrita impronunciável, portanto indecifrável, devido à não-existência de vogais no alfabeto hebraico clássico, os judeus têm-na sempre chamado de Lashon haKodesh ("A Língua Sagrada").
Por volta da primeira destruição de Jerusalém pelos Bbilónios em 586 a.C., o hebraico clássico foi substituído no uso diário pelo aramaico, tornando-se primariamente uma língua franca regional, tanto usada na liturgia, no estudo do Mishná (parte do Talmude) como também no comércio.
O hebraico renasceu como língua falada no final do século XIX / começo do século XX como o hebraico moderno, adoptando alguns elementos do árabe, ladino, Jiddisch, e outras línguas que acompanharam a Diáspora Judaica como língua falada pela maioria dos habitantes do Estado de Israel.

Pai Nosso em Hebraico





Avinu shebashamayim
yitkadesh shimcha,
tavo malchutecha,
yease retsoncha kebashamayim ken ba'aretz.
Et lechem chukenu ten lanu hayom,
uslach lanu al chataeinu,
kefi shesolchim gam anachnu lachot'im lanu.
Veal tevienu lijdei nisajon
ki im chaltzenu min hara.
Ki lecha hamamlacha hagvura
vehatif'eret leolmei olamim.
Amen.

 

O CAJADO DE MOISÉS

Um certo dia, Moisés passeava pelas propriedades do Faraó e, de repente,
ouviu um grito. Ao erguer a cabeça, viu um soldado egípcio agredindo com violência alguns escravos judeus. Moisés não pode suportar tal injustiça; jogou-se em cima do soldado para protegê-lo e, na fúria do momento, matou-o. O que fazer naquela situação?

Não podia voltar ao palácio. Seria condenado à morte. Com certeza, não havia refúgio para ele em todo o Egito.

Moisés resolveu, então, fugir. Ultrapassou vales, escondeu-se nas profundezas das montanhas até encontrar abrigo em Midian, na casa do sacerdote Jethro, que havia sido um dos conselheiros pes-soais do Faraó.

Jethro era um grande sábio: interpretava os astros, havia aprendido segredos da natureza e conseguia penetrar nas mentes chegando aos mais secretos pensamentos. Dizia-se que até o que não era revelado aos mortais vinha a ele com clareza.

O Faraó, sabendo de seus dons, havia pedido que se tornasse, mesmo que por pouco tempo, seu conselheiro pessoal. Foi assim que Moisés o conheceu.
Jethro deixou a corte por não concordar com o decreto do Faraó de escravizar os judeus. Porém como o servira durante bastante tempo, este deu-lhe o direito de escolher a sua recompensa antes de voltar ao seu país.

- "Tenho um longo caminho pela frente", disse Jethro. Dê-me, então, aquele velho cajado, aquele que se encontra perdido e jogado dentro do palácio. Ele me permitirá caminhar com mais facilidade".

O pedido deixou o Faraó sem palavras, pois havia pensado que Jethro escolheria algo mais valioso: inimagináveis quantidades de ouro ou pedras preciosas, terras, palá-cios... Mas só pedira um cajado... Que então partisse com o seu pedido realizado. O Faraó resolveu atendê-lo imediatamente.

Porém, o cajado ao qual se referia Jethro, não era um simples pedaço de madeira. Jethro sabia muito bem disso e sabia mais: o tal cajado provinha de um lugar muito especial: o Jardim de Éden; mais precisamente, da Árvore do Conhecimento. D'us o criara no crepúsculo do primeiro Shabat do mundo.

Era feito em safira e tinha gravado nele o Nome Divino e as 10 letras hebraicas, as iniciais das dez pragas que no futuro iriam infestar o Egito.

Adão o havia recebido do Criador no Jardim do Éden. Quando morreu deu-o para Enoch. O cajado possuía uma virtude mágica: amenizava o cansaço e fazia o trabalho mais árduo parecer brincadeira de criança. Pertenceu a Noé, que o utilizou para medir a Arca na qual sobreviveu durante o dilúvio. Em seguida foi a vez do patriarca Abraão, que o herdou. Serviu também a seu filho Isaac e logo a seu descendente, Jacob. Este, ao ir para o Egito, levou o cajado consigo deixando-o como herança a seu amado filho José. Quando este último morreu, todas suas propriedades passaram a pertencer ao Faraó. O Faraó ordenou que lhe fosse trazido o cajado. Desconfiava que não fosse um simples pedaço de madeira. Mas, por mais que o Faraó tentasse dar-lhe ordens, nada acontecia. Decepcionado, mandou que o deixassem dentre os tesouros do palácio; lá ficou encostado por vários anos, até que Jethro o pediu como recompensa

De volta à sua casa em Midian, Jethro decidiu plantar o cajado no seu jardim. No momento em que o encostou à terra para cavar, o cajado encolheu-se estranhamente, como se tivesse voltado a seu estado de raiz. Efeito raro e estranho, posto que nada crescera dessa raiz, nenhuma folha, flor ou fruto.

Jethro tentou plantá-lo de novo, mas não conseguiu arrancá-lo do solo. Resolveu deixar o cajado onde estava.

O sacerdote era pai de sete filhas. Uma dela era chamada Tzipora, o que significa "pequeno pássaro". Tudo em Tzipora era bonito, seu sorriso, sua energia, sua afável essência. Não se passava um dia sequer sem que ela fosse pedida em casamento. Jovens e velhos, ricos e pobres ofereciam-lhe de tudo para consegui-la como esposa. Mas ela repetia: "Eu pertenço a quem conseguir tirar este cajado da terra. Quem o conseguir será o meu futuro marido e ninguém mais".

Ela era também uma moça muito sábia. Seu pai já lhe havia ensinado muitas coisas. Dentre estas a de que o cajado só responderia àquela pessoa que D'us escolhera. Centenas de mãos já haviam tentado arrancar o cajado. Mas ninguém havia conseguido sequer movê-lo para o lado. O cajado estava encravado na terra, como se sua raiz estivesse grudada ao outro lado do solo. Estava esperando...

Ao chegar em Midian, Moisés conheceu Tzipora perto de uma fonte onde ela e suas irmãs estavam tentando dar águas a seu rebanho. Moisés as ajudou afastando os pastores que as estavam pertubando.

A jovem se encantou com aquele homem tão bonito e bondoso e sempre que podia, dava um jeito de encontrar-se com ele. Entretanto, o avô de Tzipora, Reuel, soube que Moisés estava fugindo do Faraó e decretou sua prisão. Moisés acabou preso e jogado na prisão. Durante 10 anos, Tzipora secre-tamente levava-lhe comida. A vontade dela era que Moisés fosse o escolhido de D'us. Assim ficariam juntos para sempre.

Moisés foi finalmente libertado, e foi até um dos jardins para agradecer a Hashem por tê-lo poupado. Assim que entrou no jardim, viu o cajado. Logo, observou que o nome de D'us estava gravado em sua ponta. Soube imediatamente que pertencia a seu povo. Segurou-o e, ao usar o Nome Divino, a poderosa força que o mantinha encravado no solo esvaneceu-se e Moisés retirou-o facilmente da terra.

Jethro imediatamente soube que Moisés ia ser o libertador dos judeus e o convidou a ficar. Ao virar-se, Moisés viu que Tzipora estava do seu lado. Aproximou-se e tomou-a em seus braços.
Alguns dias depois, o casamento foi celebrado. Moisés, feliz, disse: "D'us me mandou Tzipora e o poder do cajado para que eu consiga salvar o meu povo".

E foi o que aconteceu. Na mão de Moisés o cajado cumpriu a tarefa que lhe fora destinada, conforme a vontade de D'us: ajudou Moisés e Aarão a salvar o seu povo da escravidão do Egito. Foi com este cajado nas mãos que Moisés, seguindo a ordem de D'us, realizou os milagres no Egito perante o Faraó e os filhos de Israel.

Baseado no conto "Le bâton de Moïse", Legendes et Contes, Contes Juift, Gründ.